Principais falhas de lubrificação e suas correlações em equipamentos rotativos

Principais falhas de lubrificação e suas correlações em equipamentos rotativos

A lubrificação inadequada é uma das principais causas de falhas prematuras em equipamentos rotativos industriais. Problemas como falta ou excesso de lubrificante, contaminação e seleção inadequada do produto comprometem diretamente o regime de lubrificação e aceleram processos de desgaste. Este artigo analisa as principais falhas de lubrificação e suas correlações com variáveis operacionais e parâmetros de monitoramento, como vibração, ultrassom, temperatura e contaminação do lubrificante. A integração dessas variáveis permite identificar precocemente desvios no regime de lubrificação e aprimorar estratégias de manutenção preditiva.

1. Introdução

A lubrificação desempenha um papel essencial na confiabilidade de equipamentos rotativos, atuando na redução do atrito, controle de temperatura, dissipação de calor e proteção contra desgaste. Em rolamentos e mancais, o filme lubrificante é responsável por separar superfícies metálicas em movimento relativo, evitando contato direto entre os componentes.

Entretanto, falhas relacionadas à lubrificação continuam sendo uma das principais causas de degradação prematura de componentes mecânicos. Em muitos casos, essas falhas não estão associadas apenas à ausência de lubrificante, mas a um conjunto de fatores inter-relacionados, como contaminação, temperatura elevada, cargas operacionais e práticas inadequadas de manutenção. 

Com o avanço das técnicas de manutenção preditiva, tornou-se possível correlacionar diferentes parâmetros de monitoramento para identificar alterações no regime de lubrificação antes da ocorrência de falhas críticas.

2. Principais falhas de lubrificação

As falhas de lubrificação em equipamentos rotativos geralmente estão associadas a quatro condições principais: deficiência de lubrificante, excesso de lubrificação, contaminação e uso de lubrificante inadequado.

A falta de lubrificação ocorre quando o volume de lubrificante é insuficiente para manter o filme protetor entre superfícies metálicas. Nessa condição, ocorre aumento do atrito, elevação da temperatura e desgaste acelerado dos componentes.

Por outro lado, o excesso de lubrificação pode provocar aumento da resistência ao movimento e elevação da temperatura devido à agitação da graxa dentro do rolamento. Essa condição também pode levar ao rompimento de vedações e migração do lubrificante para regiões não projetadas para recebê-lo.

A contaminação do lubrificante é outro fator crítico. A presença de partículas sólidas, água ou produtos de oxidação altera as propriedades do lubrificante e acelera o desgaste abrasivo entre superfícies metálicas.

Por fim, o uso de lubrificante inadequado, especialmente em relação à viscosidade e aos aditivos, pode comprometer a formação do filme lubrificante e reduzir significativamente a vida útil dos componentes.

3. Correlações avançadas de monitoramento

A identificação precoce de falhas de lubrificação depende da análise integrada de diferentes parâmetros de monitoramento. A correlação entre vibração, ultrassom, temperatura e contaminação permite compreender com maior precisão o comportamento do equipamento.

- Correlação entre ultrassom e condição de lubrificação:

O ultrassom é uma das ferramentas mais sensíveis para detectar alterações no regime de lubrificação. Quando o filme lubrificante começa a se degradar, ocorre aumento do atrito entre superfícies metálicas, gerando emissões acústicas de alta frequência.

Essas emissões podem ser detectadas antes mesmo do surgimento de falhas perceptíveis em análise de vibração, tornando o ultrassom uma ferramenta extremamente eficaz para identificar deficiência de lubrificação em estágios iniciais.  

- Correlação entre vibração e degradação mecânica:

Enquanto o ultrassom detecta alterações iniciais no regime de lubrificação, a análise de vibração torna-se mais relevante à medida que o desgaste progride.

A degradação do filme lubrificante pode evoluir para desgaste de pistas, micropitting ou falhas nos elementos rolantes, gerando assinaturas características nos espectros de vibração. Assim, a vibração costuma indicar estágios mais avançados da falha.

- Correlação entre temperatura e regime de lubrificação:

A temperatura é um indicador importante do comportamento do sistema tribológico. Tanto a falta quanto o excesso de lubrificação podem provocar aumento da temperatura de operação.

Temperaturas elevadas aceleram a degradação química do lubrificante e reduzem sua viscosidade, comprometendo ainda mais a capacidade de formação do filme lubrificante.

- Correlação entre contaminação e desgaste acelerado:

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A presença de partículas sólidas no lubrificante aumenta significativamente o desgaste abrasivo entre superfícies metálicas. Essa condição geralmente se manifesta por meio de:

• aumento progressivo de vibração

• elevação do nível de ultrassom

• degradação das propriedades do lubrificante

A análise de óleo ou graxa permite identificar precocemente a presença desses contaminantes e evitar danos mais severos ao equipamento.

4. Estratégias de manutenção daseadas em condição

A integração de múltiplas tecnologias de monitoramento permite desenvolver estratégias de manutenção baseadas em condição. A análise conjunta de ultrassom, vibração, temperatura e contaminação possibilita identificar padrões de degradação e tomar decisões mais assertivas sobre intervenções de lubrificação. Esse modelo reduz intervenções desnecessárias, evita excesso de lubrificação e aumenta a confiabilidade operacional dos ativos industriais.

Conclusão

As falhas de lubrificação representam uma das principais causas de degradação em equipamentos rotativos. No entanto, essas falhas raramente ocorrem de forma isolada, estando geralmente associadas a fatores como temperatura elevada, contaminação do lubrificante e condições operacionais adversas.

A correlação entre parâmetros de monitoramento, como ultrassom, vibração, temperatura e contaminação, permite identificar alterações no regime de lubrificação em estágios iniciais e implementar ações corretivas antes da ocorrência de falhas críticas.

Dessa forma, a gestão eficiente da lubrificação deve ser tratada como um elemento estratégico dentro das práticas modernas de manutenção e confiabilidade de ativos.

 

Fauzi Mendonça

Especializações

Engenharia de Confiabilidade com certificação internacional MLT-I (ICML) em Lubrificação e certificações CAT I, CAT II e CAT III em Análise de Vibrações.

Redes sociais

Engenheira mecânica com atuação em manutenção industrial, confiabilidade e gestão de ativos, com ênfase em estratégias de lubrificação, monitoramento de vibrações e análise de falhas em equipamentos rotativos.

Graduada em Engenharia Mecânica pela UIT, com certificação internacional MLT-I (ICML) em Lubrificação e certificações CAT I, CAT II e CAT III em Análise de Vibrações. Possui formação técnica em Eletroeletrônica e Mecânica e, atualmente, cursa pós-graduação em Engenharia da Confiabilidade.

Profissional com 8 anos de experiência em manutenção industrial, atuando nos setores de mineração, automotivo, fundição, sucroalcooleiro, metalurgia e reciclagem animal. Experiência em manutenção preventiva, preditiva e corretiva, consultorias em processos de lubrificação, análise de falhas e planejamento de grandes paradas industriais.


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